Para quando a conversa acontece a sério.
As objecções que nos fazem mais vezes, como elas aparecem mesmo. Cada uma tem página própria, para poderes mandar só aquela a quem precisa dela.
Ver primeiro a posição em quatro passosO início da vida
Quase todas estas conversas acabam na mesma pergunta: o que é que está no útero. Vale a pena notar quantas objecções já respondem a essa pergunta sem a discutir.
- “O corpo é dela. Ninguém tem nada a ver com isso.”Concordamos que o corpo dela é dela. A questão é que numa gravidez há um segundo corpo, com ADN próprio e metade das vezes com sexo diferente.Ler a resposta
- “É um ser humano, mas ainda não é uma pessoa.”Faz sentido perguntar isso. Só que quando se procura o que muda entre um feto e nós, aparecem apenas quatro coisas, e nenhuma delas funciona como critério.Ler a resposta
- “Ninguém sabe quando é que a vida começa. É uma questão de opinião.”Quando começa a vida biológica não é opinião, está nos manuais de embriologia. O que é discutível é outra coisa: a partir de quando é que essa vida conta.Ler a resposta
- “Nas primeiras semanas não sente nada. Nem tem cérebro formado.”É verdade que muito cedo não há sistema nervoso capaz de sentir. Mas a questão é outra: se sentir dor fosse o critério, matar alguém anestesiado deixava de ser grave.Ler a resposta
- “E em caso de violação?”É a pergunta mais difícil que nos fazem. Naquela gravidez há duas pessoas inocentes, e nenhuma das duas é o violador.Ler a resposta
- “E se souberem que o bebé vai nascer com uma doença grave?”Um diagnóstico difícil é uma razão para dar mais apoio àquela família, não para concluir que aquela vida vale menos.Ler a resposta
- “Se és contra, não faças um. Não impunhas a tua moral aos outros.”Isso resolveria a conversa se só estivesse em causa uma pessoa. Toda a discussão é sobre se há ali uma segunda.Ler a resposta
- “Proibir não resolve nada. As mulheres vão morrer em abortos clandestinos.”Ninguém quer mulheres a morrer, e essa preocupação é legítima. Mas nota que este argumento é sobre consequências, e já assume a resposta à pergunta de fundo.Ler a resposta
- “Isso é uma questão religiosa e o Estado é laico.”Nada do que dissemos precisou de religião: se cresce está vivo, se tem pais humanos é humano, e seres humanos valem.Ler a resposta
- “E as crianças indesejadas? O sistema de acolhimento já está cheio.”É um problema real e devia envergonhar-nos. Só que ele não diz nada sobre o que está no útero: não matamos um órfão de cinco anos por ninguém o querer adoptar.Ler a resposta
- “És homem. Não tens nada a dizer sobre isto.”Um argumento é bom ou mau independentemente de quem o diz. Mas há aqui uma parte justa que vale a pena ouvir.Ler a resposta
Eutanásia e suicídio assistido
A razão de fundo é curta: não se mata doentes. A maior parte das objecções desfaz-se quando se separa deixar morrer de provocar a morte.
- “É a minha vida. Tenho o direito de decidir quando acaba.”Quando uma pessoa saudável nos diz isso, tentamos ajudá-la a mudar de ideias e chamamos-lhe cuidar. Quando é uma pessoa doente, chamamos-lhe autonomia.Ler a resposta
- “É compaixão. Não podes obrigar alguém a sofrer.”Compaixão quer dizer sofrer com alguém. Aqui a proposta é fazer desaparecer quem sofre, e isso não é o mesmo — nem se torna certo quando o sofrimento é real.Ler a resposta
- “Ele vai morrer de qualquer maneira. Só se está a antecipar o inevitável.”Todos vamos morrer de qualquer maneira. Se isso justificasse antecipar, justificava em qualquer idade, e ninguém aceita isso.Ler a resposta
- “Recusar tratamento já é permitido. Isto é a mesma coisa.”Não é. Numa, a doença mata a pessoa e nós deixamos de a impedir. Na outra, a causa da morte passamos a ser nós.Ler a resposta
- “Quem és tu para decidir pela vida de outra pessoa?”Não estamos a decidir por ninguém. Estamos a dizer que há uma coisa que não devemos fazer a ninguém, nem quando nos pedem.Ler a resposta
- “As salvaguardas da lei impedem os abusos.”É uma questão de facto, e por isso a mais fácil de verificar: nos países que abriram a porta primeiro, os critérios iniciais não se mantiveram.Ler a resposta
- “Com os animais fazemos isso por compaixão. Porquê com pessoas não?”Nota o que essa comparação assume: que tratar uma pessoa como tratamos um animal doente seria subir a fasquia.Ler a resposta
- “Há sofrimentos que nada resolve. Já viste alguém assim?”Sim, e é por isso que não respondemos com frases feitas. Mas a conclusão que se tira daí é que faltam cuidados, não que falta uma saída mais rápida.Ler a resposta
Quatro regras que valem mais do que qualquer argumento
Pergunta antes de responder
"O que é que te leva a pensar assim?" muda mais conversas do que qualquer dado. E às vezes descobres que estavam a falar de coisas diferentes.
Apresenta a objecção melhor do que quem a faz
Se a pessoa sentir que percebeste o argumento dela na versão forte, baixa a guarda. Se sentir que estás a derrubar uma caricatura, fecha-se e tem razão.
Concede o que é verdade
Muita coisa que te vão dizer é verdadeira: o apoio às mães é insuficiente, os paliativos não chegam a todos, o acolhimento está mau. Dizer "tens razão nisso" não te enfraquece, dá-te credibilidade para o resto.
Não ganhes a discussão à força
O objectivo não é a pessoa admitir que perdeu. É ir para casa a pensar no assunto. Quem sai humilhado de uma conversa nunca muda de ideias, mesmo tendo ouvido a verdade.
Há argumentos do nosso lado que soam bem e não se aguentam. Não usamos nenhum destes, porque quem os usa perde a conversa e a credibilidade: "terias abortado Beethoven?", comparações com o Holocausto, atacar a vida pessoal de quem discorda, ou usar imagens gráficas para chocar.
Falta aqui alguma objecção que te fizeram e não soubeste responder? Manda-a e acrescentamos, com resposta.
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