O corpo é dela. Ninguém tem nada a ver com isso.

    Resposta curta

    Concordamos que o corpo dela é dela. A questão é que numa gravidez há um segundo corpo, com ADN próprio e metade das vezes com sexo diferente.

    Esta é a objecção mais séria que existe, e não é difícil ver porquê. Uma gravidez pede ao corpo de uma mulher uma coisa que nunca pedimos a mais ninguém: nove meses, riscos de saúde, e uma transformação que não se desfaz. Não obrigamos ninguém a dar um rim, nem sequer sangue, mesmo quando alguém morre sem isso.

    A pergunta que fica é se recusar ajuda e provocar uma morte são a mesma coisa. Quem se recusa a dar um rim vai para casa e o doente morre da doença que já tinha. Ninguém passa pelo hospital a caminho.

    Há também uma coisa que a comparação com o rim não apanha, e que já aceitamos sem grande discussão: um pai não pode deixar um bebé morrer à fome porque cuidar dele lhe custa o sono, o dinheiro e a liberdade. Os filhos criam obrigações que ninguém assinou num papel. A gravidez é a versão mais exigente disso.

    Se isto te parecer pesado, é porque é. E é exactamente por ser tão pesado que devíamos ser os primeiros a exigir creches, licenças, casa e um emprego que não desapareça. Pedir a alguém que carregue isto sozinha é que não tem defesa.

    Cuidado: Não respondas com sarcasmo sobre a gravidez ter sido uma escolha. Fecha a conversa, e ignora todos os casos em que não foi.