“É a minha vida. Tenho o direito de decidir quando acaba.”
Quando uma pessoa saudável nos diz isso, tentamos ajudá-la a mudar de ideias e chamamos-lhe cuidar. Quando é uma pessoa doente, chamamos-lhe autonomia.
A liberdade importa e não somos contra ela. Mas vale a pena olhar para o que já fazemos, porque nisso somos todos coerentes: temos linhas de prevenção do suicídio, formamos pessoas para reconhecer sinais, e ninguém acha que isso seja faltar ao respeito a quem sofre.
Já decidimos, em conjunto, que perante um pedido para morrer a resposta certa é aproximar- se. A eutanásia abre uma excepção a essa regra, e a excepção define-se por uma característica da pessoa: estar doente.
É aí que deixa de ser só sobre liberdade individual. Uma lei não dá uma opção a uma pessoa, dá-a a todas as que estão naquela condição, e passa a dizer algo sobre elas. A partir do momento em que existe uma saída legal, quem se sente um peso ganha uma resposta disponível.
Outras objecções sobre eutanásia e suicídio assistido
- “É compaixão. Não podes obrigar alguém a sofrer.”Compaixão quer dizer sofrer com alguém. Aqui a proposta é fazer desaparecer quem sofre, e isso não é o mesmo — nem se torna certo quando o sofrimento é real.
- “Ele vai morrer de qualquer maneira. Só se está a antecipar o inevitável.”Todos vamos morrer de qualquer maneira. Se isso justificasse antecipar, justificava em qualquer idade, e ninguém aceita isso.
- “Recusar tratamento já é permitido. Isto é a mesma coisa.”Não é. Numa, a doença mata a pessoa e nós deixamos de a impedir. Na outra, a causa da morte passamos a ser nós.
