Quem és tu para decidir pela vida de outra pessoa?

    Resposta curta

    Não estamos a decidir por ninguém. Estamos a dizer que há uma coisa que não devemos fazer a ninguém, nem quando nos pedem.

    A pergunta é justa, e a resposta começa por notar de quem é a decisão em causa. A eutanásia não é uma coisa que a pessoa faz sozinha: precisa de alguém que a administre, de uma lei que o permita e de um sistema de saúde que o organize. Somos todos parte disso.

    Portanto não é uma decisão privada onde nos estamos a intrometer. É um pedido feito a nós, e temos o direito de responder que aquilo não é coisa que se faça a uma pessoa, seja quem for a pedir.

    Há uma segunda parte. Assim que a opção existe, ela deixa de ser neutra para quem está doente e sabe que dá trabalho, que custa dinheiro à família e que ocupa uma cama. Ninguém pressiona ninguém, e ainda assim a pergunta “ainda faço falta?” aparece sozinha. Um direito a morrer tem o mau hábito de começar a parecer um dever a quem já se sente um peso.