“Proibir não resolve nada. As mulheres vão morrer em abortos clandestinos.”
Ninguém quer mulheres a morrer, e essa preocupação é legítima. Mas nota que este argumento é sobre consequências, e já assume a resposta à pergunta de fundo.
Isto merece ser tratado com seriedade, porque é verdade que leis mal feitas podem matar mulheres, e porque ninguém aqui quer ver uma mulher tratada como criminosa.
Mas experimenta aplicar a mesma estrutura a outra vítima e ouve como soa. Não dizemos que, havendo quem bata nos filhos às escondidas, mais vale legalizar e regular para ser feito em segurança. Dizemos que é preciso proteger a criança e ajudar a família.
Ou seja: a discussão sobre qual é a melhor política pública só começa depois de sabermos se há ali alguém a proteger. E vale a pena dizer onde é que nós achamos que a energia deve estar. Não é em punir mulheres. É em fazer com que nenhuma sinta que não tem alternativa.
Outras objecções sobre o início da vida
- “O corpo é dela. Ninguém tem nada a ver com isso.”Concordamos que o corpo dela é dela. A questão é que numa gravidez há um segundo corpo, com ADN próprio e metade das vezes com sexo diferente.
- “É um ser humano, mas ainda não é uma pessoa.”Faz sentido perguntar isso. Só que quando se procura o que muda entre um feto e nós, aparecem apenas quatro coisas, e nenhuma delas funciona como critério.
- “Ninguém sabe quando é que a vida começa. É uma questão de opinião.”Quando começa a vida biológica não é opinião, está nos manuais de embriologia. O que é discutível é outra coisa: a partir de quando é que essa vida conta.
