O que acreditamos

    Porque somos contra o aborto e a eutanásia.

    Em poucos passos, sem rodeios e sem religião. Se discordares, vais saber exactamente de qual dos passos.

    O aborto

    A nossa posição em quatro passos

    1. 1Matar um ser humano inocente é sempre errado.
    2. 2Desde a conceção existe um ser humano inocente.
    3. 3O aborto mata um ser humano inocente.
    4. 4Logo, o aborto é errado.

    Repara no que este argumento tem de particular. Se aceitares os passos 1 e 2, o 4 vem atrás sem precisares de acreditar em mais nada. Não há terceira via.

    E quase toda a gente aceita o passo 1. Ninguém defende que se pode matar um inocente porque dá jeito. A discussão inteira está no passo 2.

    O passo 2

    "Desde a conceção existe um ser humano."

    É aqui que a maior parte das pessoas trava, e com razão: é a única parte que não se resolve com bom senso. Resolve-se com duas perguntas.

    Está vivo?

    Cresce por si, transforma alimento em energia e reage ao meio. É o mesmo critério que usamos para dizer que uma bactéria está viva.

    É humano?

    Tem pais humanos e ADN humano completo, diferente do da mãe desde o primeiro dia. Não há nenhum momento posterior em que passe a ser de outra espécie.

    A melhor objecção

    "As células da minha pele também estão vivas e também são humanas, e ninguém lhes faz um funeral."

    Uma célula da pele é parte de um corpo. O embrião é um corpo inteiro, na sua primeira fase. Dá nutrição, calor e tempo a uma célula da pele e ela nunca será ninguém. Dá exactamente o mesmo a um embrião e ele desenvolve-se sozinho, dirigindo o próprio crescimento.

    Nunca ninguém foi uma célula da pele.

    Toda a gente já foi um embrião.

    Quem aceita isto costuma recuar para outra posição, e é uma posição séria: é um ser humano, mas ainda não é uma pessoa. Essa merece uma resposta mais longa do que cabe aqui.

    Ver a resposta e as outras objecções
    A eutanásia

    A nossa posição, também em quatro passos

    Aqui a razão de fundo é curta: não se mata doentes. É o mesmo primeiro passo do argumento anterior, aplicado a outro momento da vida.

    1. 1Matar uma pessoa inocente é sempre errado.
    2. 2Um doente é uma pessoa inocente.
    3. 3Ter sido a própria pessoa a pedir não muda aquilo que o acto é.
    4. 4Logo, a eutanásia é errada.

    Nos dois primeiros passos praticamente ninguém discorda. A discussão está toda no terceiro: se é a própria pessoa a pedir, será que continua a ser matar?

    O passo 3

    "Mas foi ela que pediu."

    Esta é uma boa objecção e merece uma resposta a sério. A maneira mais honesta de a testar é perguntar se já aceitamos, noutro sítio qualquer, que um pedido baste.

    Imagina um amigo teu, saudável, que te diz que já não quer viver. Não tratas isso como uma preferência dele que só a ele diz respeito. Ligas a alguém, ficas com ele, tentas que mude de ideias. E quando ele muda de ideias, ninguém acha que lhe roubámos a liberdade. Achamos que o ajudámos.

    Com uma pessoa saudável, chamamos-lhe prevenção do suicídio.

    Com uma pessoa doente, chamamos-lhe autonomia e passamos a ajudar.

    Entre um caso e o outro, o que mudou foi o diagnóstico.

    Se a mesma decisão é uma tragédia num caso e um direito no outro, então em algum ponto passámos a achar que aquela segunda vida vale menos. Ninguém diz isso em voz alta, mas é o que a diferença de tratamento significa.

    E há uma coisa que quem trabalha em paliativos repete sempre: o pedido para morrer aparece muitas vezes, e quase sempre desaparece quando a dor passa e alguém se senta ao lado. Não era um pedido sobre a morte. Era sobre a dor, ou sobre a solidão.

    Uma nota, porque nos atribuem coisas que nunca dissemos: recusar tratamentos inúteis é legítimo, prolongar sofrimento à força não é nada que defendamos, e tratar a dor até adormecer alguém é boa medicina. Nada disso é matar, e nada disso está em discussão.

    Ver as outras objecções sobre o fim da vida
    O que propomos em vez disso

    Se não se mata doentes, então deve-se-lhes outra coisa

    Dizer não à eutanásia obriga-nos a algo. Não podemos recusar aquela saída a alguém e deixá-lo depois a sofrer sozinho, porque isso seria só crueldade com melhor argumentação.

    É por isso que somos insistentes com os cuidados paliativos. Não são a razão pela qual somos contra a eutanásia. São a consequência de o sermos: a dívida que fica de pé depois de dizermos que aquela vida continua a valer.

    Na prática, quando alguém que amamos diz que já não quer viver, há duas respostas possíveis. Uma é concordar que a vida dele deixou de valer a pena. A outra é o que qualquer pessoa que ama responde:

    "Não vou concordar contigo. Continuas a ser precioso para mim exactamente como estás, e vou provar-to a cuidar de ti até ao fim."

    A doença tira saúde, autonomia e muitas vezes a esperança. Nunca tirou dignidade a ninguém, porque a dignidade não estava dependente de nenhuma dessas coisas.

    Queres saber mais?

    Reunimos as objecções que nos fazem mais vezes, com uma resposta curta que podes usar numa conversa e uma resposta longa para quando houver tempo.

    Biblioteca de argumentos