“E se souberem que o bebé vai nascer com uma doença grave?”
Um diagnóstico difícil é uma razão para dar mais apoio àquela família, não para concluir que aquela vida vale menos.
Um pai e uma mãe que recebem um diagnóstico destes ficam em pânico, e muitas vezes ficam sozinhos. Quem já passou por isso conta que a primeira coisa que lhe ofereceram foi interromper, e às vezes a única.
A pergunta que isto levanta é se a doença muda o valor de quem a tem. Vale a pena olhar para quem já cá está: pessoas com trissomia 21, com paralisia cerebral, com doenças degenerativas. Não achamos que a vida delas valha menos do que a nossa, e ficaríamos chocados se alguém o dissesse à frente delas.
É por isso que muita gente com deficiência ouve este argumento e fica incomodada. A frase não fica no útero: aplica-se depois a elas.
O que estas famílias precisam é de diagnóstico honesto, acompanhamento, contacto com quem já viveu o mesmo, e apoio que não acabe no dia da alta. Nada disso é fácil de organizar. Continua a ser a resposta certa.
Outras objecções sobre o início da vida
- “O corpo é dela. Ninguém tem nada a ver com isso.”Concordamos que o corpo dela é dela. A questão é que numa gravidez há um segundo corpo, com ADN próprio e metade das vezes com sexo diferente.
- “É um ser humano, mas ainda não é uma pessoa.”Faz sentido perguntar isso. Só que quando se procura o que muda entre um feto e nós, aparecem apenas quatro coisas, e nenhuma delas funciona como critério.
- “Ninguém sabe quando é que a vida começa. É uma questão de opinião.”Quando começa a vida biológica não é opinião, está nos manuais de embriologia. O que é discutível é outra coisa: a partir de quando é que essa vida conta.
