“Recusar tratamento já é permitido. Isto é a mesma coisa.”
Resposta curta
Não é. Numa, a doença mata a pessoa e nós deixamos de a impedir. Na outra, a causa da morte passamos a ser nós.
A confusão é natural, porque nos dois casos alguém morre e nos dois casos houve uma decisão. Há um teste simples que separa as coisas.
Se o tratamento for recusado e a pessoa não morrer, ninguém sente que algo falhou. Se a substância for administrada e a pessoa não morrer, alguém errou a dose. Isso mostra qual das duas tinha a morte como objectivo.
Numa situação a morte é aceite quando chega. Na outra é provocada numa data marcada. Ambas podem acabar em morte, tal como um doente pode morrer no hospital ou num assalto, e isso não faz do médico e do assaltante a mesma coisa.
Outras objecções sobre eutanásia e suicídio assistido
- “É a minha vida. Tenho o direito de decidir quando acaba.”Quando uma pessoa saudável nos diz isso, tentamos ajudá-la a mudar de ideias e chamamos-lhe cuidar. Quando é uma pessoa doente, chamamos-lhe autonomia.
- “É compaixão. Não podes obrigar alguém a sofrer.”Compaixão quer dizer sofrer com alguém. Aqui a proposta é fazer desaparecer quem sofre, e isso não é o mesmo — nem se torna certo quando o sofrimento é real.
- “Ele vai morrer de qualquer maneira. Só se está a antecipar o inevitável.”Todos vamos morrer de qualquer maneira. Se isso justificasse antecipar, justificava em qualquer idade, e ninguém aceita isso.
