“Ele vai morrer de qualquer maneira. Só se está a antecipar o inevitável.”
Todos vamos morrer de qualquer maneira. Se isso justificasse antecipar, justificava em qualquer idade, e ninguém aceita isso.
Isto costuma ser dito com o coração no sítio certo, por quem vê alguém a aproximar-se do fim e não quer que sofra mais tempo.
Mas o raciocínio prova demasiado. Todos nós temos uma data marcada que não conhecemos. Se ser mortal bastasse para tornar aceitável antecipar a morte de alguém, bastaria para qualquer pessoa em qualquer momento. O que estamos a fazer, sem dizer, é usar “falta pouco” como critério, e nunca conseguimos explicar quanto é pouco.
Há também um erro de facto que vale a pena conhecer: os prognósticos falham muito. Médicos com experiência contam casos de pessoas que viveram anos depois de lhes darem semanas. Decisões irreversíveis assentes em previsões falíveis são um mau par.
Outras objecções sobre eutanásia e suicídio assistido
- “É a minha vida. Tenho o direito de decidir quando acaba.”Quando uma pessoa saudável nos diz isso, tentamos ajudá-la a mudar de ideias e chamamos-lhe cuidar. Quando é uma pessoa doente, chamamos-lhe autonomia.
- “É compaixão. Não podes obrigar alguém a sofrer.”Compaixão quer dizer sofrer com alguém. Aqui a proposta é fazer desaparecer quem sofre, e isso não é o mesmo — nem se torna certo quando o sofrimento é real.
- “Recusar tratamento já é permitido. Isto é a mesma coisa.”Não é. Numa, a doença mata a pessoa e nós deixamos de a impedir. Na outra, a causa da morte passamos a ser nós.
