“Isso é uma questão religiosa e o Estado é laico.”
Resposta curta
Nada do que dissemos precisou de religião: se cresce está vivo, se tem pais humanos é humano, e seres humanos valem.
É uma desconfiança compreensível, porque muita gente religiosa defende esta posição. Mas repara que o argumento em si assenta em embriologia e num princípio de igualdade que está na Declaração Universal dos Direitos Humanos. Não há nenhum passo que precise de fé.
Há ateus e agnósticos que chegam exactamente à mesma conclusão, por não conseguirem encontrar um critério que exclua o feto e não exclua também um recém-nascido.
E se uma posição fosse inválida só por coincidir com uma convicção religiosa, teríamos de deitar fora a proibição do homicídio e do roubo. O que interessa é se os argumentos se aguentam sozinhos.
Outras objecções sobre o início da vida
- “O corpo é dela. Ninguém tem nada a ver com isso.”Concordamos que o corpo dela é dela. A questão é que numa gravidez há um segundo corpo, com ADN próprio e metade das vezes com sexo diferente.
- “É um ser humano, mas ainda não é uma pessoa.”Faz sentido perguntar isso. Só que quando se procura o que muda entre um feto e nós, aparecem apenas quatro coisas, e nenhuma delas funciona como critério.
- “Ninguém sabe quando é que a vida começa. É uma questão de opinião.”Quando começa a vida biológica não é opinião, está nos manuais de embriologia. O que é discutível é outra coisa: a partir de quando é que essa vida conta.
