“E em caso de violação?”
É a pergunta mais difícil que nos fazem. Naquela gravidez há duas pessoas inocentes, e nenhuma das duas é o violador.
Primeiro o que importa mais. A violação é dos crimes mais graves que existem, quem a sofreu não tem culpa nenhuma do que lhe aconteceu, e é revoltante que tantos violadores nunca sejam apanhados.
Ninguém devia responder a isto com pressa. A pergunta que fica é se a resposta ao mal que foi feito a uma pessoa inocente pode passar por acabar com outra.
Há um caso que ajuda a pensar. Imagina uma mulher que descobre, três meses depois de o filho nascer, que o pai não é o marido mas o homem que a violou. É difícil imaginar sofrimento maior, e ainda assim ninguém aceitaria que ela matasse o bebé. Se ali não pode, fica por explicar o que muda umas semanas antes.
Punir o violador, apoiar a mulher de todas as formas possíveis, e não matar a criança. Achamos que dá para fazer as três coisas ao mesmo tempo, e que o país falha escandalosamente na segunda.
Cuidado: Nunca comeces por “são só 1% dos casos”. Estás a dizer a alguém que a sua história é uma estatística pequena.
Outras objecções sobre o início da vida
- “O corpo é dela. Ninguém tem nada a ver com isso.”Concordamos que o corpo dela é dela. A questão é que numa gravidez há um segundo corpo, com ADN próprio e metade das vezes com sexo diferente.
- “É um ser humano, mas ainda não é uma pessoa.”Faz sentido perguntar isso. Só que quando se procura o que muda entre um feto e nós, aparecem apenas quatro coisas, e nenhuma delas funciona como critério.
- “Ninguém sabe quando é que a vida começa. É uma questão de opinião.”Quando começa a vida biológica não é opinião, está nos manuais de embriologia. O que é discutível é outra coisa: a partir de quando é que essa vida conta.
