É um ser humano, mas ainda não é uma pessoa.

    Resposta curta

    Faz sentido perguntar isso. Só que quando se procura o que muda entre um feto e nós, aparecem apenas quatro coisas, e nenhuma delas funciona como critério.

    Muita gente aceita a biologia e trava aqui, e é uma posição defensável: parece haver uma diferença entre estar vivo e contar como alguém. Vale a pena tentar dizer qual é essa diferença, porque só há quatro candidatas.

    O tamanho. Há adultos de metro e meio e adultos de dois metros, e ninguém acha que uns valham mais.

    O desenvolvimento. Um recém-nascido não raciocina, não se governa e não se lembra de nada. Se é isso que faz uma pessoa, ele também não passa.

    O sítio onde está. Dez centímetros de canal de parto. Mudar de sítio nunca fez nem desfez ninguém.

    A dependência. Quem está numa cama ligado a uma máquina depende inteiramente de outros, e não deixou de contar por isso.

    Agora experimenta transformar cada uma delas num critério para ter direito a viver, e vê onde é que isso te deixa. Nenhuma das quatro conclusões é aceitável para nenhum de nós, o que sugere que estávamos à procura no sítio errado. Uma pessoa vale pelo que é, não pelo que já consegue fazer.