“Com os animais fazemos isso por compaixão. Porquê com pessoas não?”
Resposta curta
Nota o que essa comparação assume: que tratar uma pessoa como tratamos um animal doente seria subir a fasquia.
A comparação acaba por dizer o contrário do que pretende. Quando um animal sofre, abatemo-lo porque não temos melhor: não lhe podemos explicar o que se passa, não lhe podemos dar cuidados paliativos, não o podemos acompanhar nem perguntar o que quer.
Com pessoas temos tudo isso. Temos analgesia, equipas, famílias, conversas, tempo. Escolher a solução que usamos quando não temos alternativa, tendo alternativa, é uma decisão sobre custos e não sobre compaixão.
Outras objecções sobre eutanásia e suicídio assistido
- “É a minha vida. Tenho o direito de decidir quando acaba.”Quando uma pessoa saudável nos diz isso, tentamos ajudá-la a mudar de ideias e chamamos-lhe cuidar. Quando é uma pessoa doente, chamamos-lhe autonomia.
- “É compaixão. Não podes obrigar alguém a sofrer.”Compaixão quer dizer sofrer com alguém. Aqui a proposta é fazer desaparecer quem sofre, e isso não é o mesmo — nem se torna certo quando o sofrimento é real.
- “Ele vai morrer de qualquer maneira. Só se está a antecipar o inevitável.”Todos vamos morrer de qualquer maneira. Se isso justificasse antecipar, justificava em qualquer idade, e ninguém aceita isso.
