É compaixão. Não podes obrigar alguém a sofrer.

    Resposta curta

    Compaixão quer dizer sofrer com alguém. Aqui a proposta é fazer desaparecer quem sofre, e isso não é o mesmo — nem se torna certo quando o sofrimento é real.

    Quem diz isto está a olhar para uma pessoa concreta a sofrer, e isso merece respeito. A intenção é boa. O problema está no que a solução faz.

    O sofrimento não é eliminado quando se elimina quem o sente. É contornado. E se aceitarmos que a resposta ao sofrimento pode ser acabar com a pessoa, deixámos de conseguir explicar porque é que essa resposta não serve para os outros sofrimentos: o luto, a depressão, a solidão, a deficiência grave.

    Ninguém aqui defende obrigar alguém a sofrer. Recusar tratamentos inúteis é legítimo, tratar a dor até adormecer alguém é boa medicina, e deixar morrer em paz não é matar. A linha que não atravessamos é outra: não se mata doentes.

    E porque não os matamos, ficamos a dever-lhes tudo o resto. Cuidados paliativos a sério não são a razão pela qual somos contra a eutanásia — são a obrigação que nos fica depois de dizermos que aquela vida continua a valer.